Falso Horizonte | Capítulo 24 [PENÚLTIMO CAPÍTULO]

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ANTERIORMENTE:

Griselda permanece segurando a arma, pronta pra atirar. Ela põe o dedo no gatilho. Donato, num ato de desespero se levanta e vai pra cima da Griselda, disputando a arma. A arma dispara.

***

CENA UM. FAZENDA HORIZONTE/QUARTO. INT, NOITE:

Donato vai ao chão com as mãos na barriga, seus dedos cheios de sangue, seus olhos se fecham. Está morto. Griselda se ajoelha, ela encara o marido, sem expressar nenhuma reação. Jurema se levanta, vai até o pai e pega na arma e aponta pra mãe, tremula.

JUREMA – (nervosa) Sai, sai daqui. Anda, vai pra fora desse quarto que nós vamos resolver isso, mamãe!

GRISELDA – Eu… Eu não sei o que fiz, eu matei o Donato, matei o meu marido. Eu tô ficando maluca, me perdoa, desculpa.

JUREMA – (nervosa) Anda logo, sai desse quarto, você não veio aqui pra me matar, mas o feitiço virou contra o feiticeiro, EU VOU TE MATAR!

Griselda se levanta e sai do quarto, sendo seguida pela Jurema que não para de tremer. Griselda se ajoelha perante a filha e ela aponta a arma para a cabeça da mãe.

JUREMA – (nervosa) Eu seria capaz de puxar o gatilho, mas eu não sou igual a você. Eu não sou sua filha, a única coisa que nos liga é uma merda de DNA!

GRISELDA – Desculpa, eu juro que amava o seu pai, a gente tinha uma linda relação, mas você veio e o Donato começou a te mimar e me esquecer. Eu larguei de mão, não queria mais, comecei a sair, beber e curtir, trair.

JUREMA – (nervosa) Já chega, eu não consigo acreditar em você… Se vocês tinham uma boa relação, eu deveria ajudá-la a melhorar, mas foram os seus ciúmes que ferraram com tudo e não eu!

GRISELDA – Eu sei, eu sei… Eu percebi que não amava mais o seu pai quando eu descobri que eu não me amava mais. Sua avó sempre botou na minha cabeça que mulher separada é uma coisa horrível e eu cresci assim. Fui incapaz de largar de um relacionamento infeliz, e chegou aonde chegou.

JUREMA – Eu vou ligar pra policia.

Jurema pega o seu telefone e disca os números da policia. Griselda se deita na grama e começa a chorar.

CENA DOIS. CASA/QUARTO. INT, NOITE:

Suzana se senta e aponta o dedo pra Luz. Luz encara a mãe e Eugenio a encara, esperando alguma palavra.

SUZANA – Anda logo Luz, conta pra família o seu segredo… Eu mesma conto, eu vou ser avó!

EUGENIO – E o pai é esse garoto aí? Luz não cometa o mesmo erro que eu casando com uma pessoa de fora da Aldeia.

LUZ – O João não é assassino, ele não é igual à mamãe.

Suzana sorrir pro dois, ela manda um beijo pro João, que só tá escutando tudo. A vilã aponta pro Eugenio.

SUZANA – Você como mais interessado, deveria nos contar o que tem de baixo da Aldeia Calcutá.

EUGENIO – Eu não sei. A história é a seguinte, meu avô deixou algo para o meu pai, mas o meu pai não quis descobrir, então ele deixou pra mim… E eu tenho quase toda certeza que é dinheiro e essa grana nem deve valer mais nada.

Suzana encara a Sol e ela sorri para a vilã. Suzana aponta o dedo pra ela.

SOL – Eu não tenho nenhum segredo… Tá talvez eu tenha. Eu sempre desejei o Beni e por mais que queria o bem da minha mãe, eu queria tocá-lo, beijá-lo, abraçá-lo e eu consegui.

Suzana sorrir. Ela olha diretamente pro Beni que faz não com a cabeça e por último olha pra Xica.

XICA – Eu não tenho nada a dizer, assim como o Beni. Tudo o que eu fiz no passado, foi porque eu quis, eu me arrependo, mas eu não mudaria nada. Eu sou e sempre fui apaixonada pelo Eugenio.

SUZANA – Depois que todos esses segredos chatos foram revelados, eu só tenho a dizer que tá na hora de vocês morrem.

CENA TRÊS. CASA ABANDONADA/QUARTO. INT, NOITE:

Marcello continua de olhos fechados, porém com a mente agindo. Sem que o pai perceba que começa a esfregar a corda no ferro que a segura, ele se solta. Hércules aproxima mais o canivete do pescoço e o vilão dá um chute no pai, que cai.

MARCELLO – Você não vai me matar, eu não matei cinco pessoas pra nada.

Ele pega o canivete e o bota no pescoço do pai. Eles saem do quarto, os capangas se assustam.

MARCELLO – Se você não me obedecerem eu mato ele e vocês… E eu tenho certeza que vocês têm famílias, meus amigos vão amar saber disso.

Os capangas encaram o Marcello, assutados. Eles largam as armas e espera a ordem do vilão.

MARCELLO – Preciso de gasolina e fósforo. Anda logo, porra.

Os capangas saem e rapidamente voltam com os dois elementos e botam o mesmo na mesa. Hércules continua sem reação, apenas observa as atitudes do filho. Marcello por fim enfia o canivete no pescoço do pai, o matando.

MARCELLO – O jogo terminou, agora sim, ele terminou.

Marcello pega os dois elementos e sai da casa, deixando o pai e os capangas deles sozinhos. Ele entra no carro que tava na garagem e sai cantando pneu.

CENA QUATRO. FAZENDA HORIZONTE/CAMPO. INT, NOITE:

Dois carros param em frente à Fazenda. Um da pericia e o outro da policia. Miriam e Medeiros saem do segundo, eles caminham até a Fazenda e encontram mãe e filha sentadas, lado a lado.

MIRIAM – O que aconteceu aqui?

JUREMA – Para lhe contar, eu terei que voltar alguns anos antes. (off) Tudo começou quando meu pai e minha mãe não se amavam mais…

Miriam escuta todo o relato de Jurema. Medeiros entra no quarto e acha o morto. Ele tira fotos da cena do crime e após pega a arma e coloca no envelope de evidências. Miriam o chama.

MIRIAM – Medeiros, eu preciso da algema. Griselda você está presa pelo assassinato do Donato.

Medeiros entrega a algema e a delegada prende a Griselda, que não disse uma palavra. Jurema ainda não consegue expressar nada, quase matou sua mãe por isso.

CENA CINCO. CASA/QUARTO. INT, NOITE:

Suzana se levanta, ela pega a garrafa de ácido e vai até eles. Ela ameaça tacar, mas não faz. Vai até o Beni e mexe na garrafa, fazendo barulho. João percebe o perigo, ele faz força na corda mal amarrada e se solta, olha pela janela e percebe o Marcello caminhando, ele estranha.

SUZANA – Beni você será o primeiro, será tão lindo ver esse seu rosto queimado, todo tostado.

Marcello encara o João, que não sabe se sorrir ou se não. Marcello faz linguagem com a boca e diz que vai ajudá-los. João se levanta e Suzana o olha.

SUZANA – Tenho que mudar os planos, o primeiro será o João, que já até está de pé.

Ele dá uma rasteira nela e a Suzana cai, derramando o ácido no chão. Ouvem-se tiros. Marcello entra com uma arma na mão e um fósforo no outro.

MARCELLO – João solta todos, pega a van e vai embora, some. Tá na hora dessa palhaçada acabar.

Ele pega a Suzana pelos cabelos e a taca na cadeira. João e os demais saem da casa.

SUZANA – Vai fazer o que, me matar?

MARCELLO – Não só isso, como me matar também.

Ele vai até a sala e pega a gasolina. Ele começa a derramar por todo quarto. Suzana rir, não acha que ele vai fazer isso. Marcello risca o fósforo e em segundos o quarto todo está em chamas, e elas passam para a sala, tomando conta de tudo. Do lado de fora, João ainda não tinha ido embora, ele decide entrar e salvar aquele que lhe ajudara.

SUZANA – (sufocada) Você é maluco, é bipolar, salvou aquele que te destruiu. O mundo é para os espertos, meu caro.

MARCELLO – Não, não, não e não. O mundo é para os mocinhos, minha cara. E sim salvei o João, porque ele não tem culpa de eu ter amado tanto o Zé.

SUZANA – (sufocada) Se o amou, porque o matou?

MARCELLO – Foi preciso, minha cara.

João entra no quarto sem camisa, usando a mesma pra se proteger da fumaça. Ele pega o Marcello e o carrega até o lado de fora. Eles correm até a van, assim que entram a casa explode, matando a Suzana. A van se vai, cantando pneu.

CENA SEIS. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. NOITE/DIA:

A intensa e lenta noite se vai, dando lugar há um dia mais bonito.

CENA SETE. ALDEIA CALCUTÁ/FUNDOS. INT, DIA:

O velório de Suzana acontecia ali, nos fundos da Aldeia. Leila está ao lado do caixão ouvindo toda a missa que um Padre faz a ela. Marcello que estava ao lado do João, foi até a amiga.

MARCELLO – Leila eu quero que você saiba que foi preciso, eu me sentia culpado, eu destruí a vida do João, não poderia a deixar matá-lo.

LEILA – Maldita hora que eu te avisei, não achei que você fosse matá-la, ela merecia sim ir presa e pagar pelo que cometeu, mas matar…

MARCELLO – (corta) Eu não entendo, porque você deu aquele ácido a ela?

LEILA – Eu a amo e você sabe como é amar alguém, é difícil, a gente sofre e sofre, mas a gente ama. Marcello não entendo, salvar aquele que você mais odiou.

MARCELLO – Eu matei a mãe dele, matei o pai dele, eu o destruí. E quando o meu pai me bateu de novo, eu me senti com vinte anos, um menino que amava uma pessoa que nunca o amaria, com um pai alcoólatra e uma mãe que fugiu e morreu. O João é parecido comigo, infelizmente e eu não poderia o deixar ir.

LEILA – Só some daqui, tá? Você nunca foi amigo dela, nunca a conheceu de verdade. Eu sou uma criminosa burra, não soube lidar com a situação, me culpo por ter te avisado.

Marcello tenta pôr as mãos no ombro da amiga, mas ela o impede. As lagrimas caem do olho dele. Ele sai do velório, sem se despedir de ninguém.

CENA OITO. ALDEIA CALCUTÁ/PORÃO. INT, DIA:

Beni e Sol descem as escadas, segurando uma marreta. Eles começam a quebrar o chão do porão. Até que a marreta da Sol se chocasse com algo de madeira. Com a ajuda do Beni, ela puxa o baú.

BENI – E agora? Precisamos da chave.

SOL – Temos uma marreta, amor.

Sol pega o instrumento e bate com tudo no baú, que abre, revelando o seu conteúdo.

FOCA NO OLHAR ENTRE ELES.

CONTINUA.

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